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CULTURA GERAL
Uso
de psicofármacos em crianças entre dois e quatro anos
alarma os Estados Unidos.
O
uso indiscriminado de medicamentos psiquiátricos para estimular
ou acalmar as crianças alcança níveis alarmantes
nos Estados Unidos e já está sendo motivo de preocupação
dos órgãos de saúde pública.
Estudo
publicado no "Journal of the American Medical Association"
revela que está aumentando rapidamente a administração
de antidepressivos, estimulantes e antipsicóticos em crianças
entre dois e quatro anos, quando estas apresentam qualquer alteração
de comportamento ou dificuldade na escola. O dado mais alarmante
é que alguns dos medicamentos mais utilizados são
expressamente contra-indicados para crianças.
A
matéria publicada no jornal da Associação Médica
Americana alcançou tamanha dimensão que foi motivo
de destaque na revista da Federação Panamericana de
Farmácia (Fepafar).
A
droga mais popular contra a hiperatividade infantil ou a falta de
atenção é a Ritalina (cujo nome genérico
é methylphenidate) um estimulante cuja bula adverte que ela
não deve ser administrada a menores de seis anos e que ainda
não foi devidamente analisado os seus efeitos colaterais
secundários. Entretanto, esta droga é tomada por cerca
de 90% das crianças em idade pré-escolar entre as
analisadas por um estudo realizado por pesquisadores da Universidade
de Maryland, acompanhadas entre 1991 e 1995.
O
resultado da pesquisa conclui que durante este período o
uso de medicamentos psiquiátricos aumentou cerca de 50% entre
as crianças menores de cinco anos, sendo que em alguns casos
o seu uso foi duplicado.
Frente
à possibilidade desta realidade se tornar cada dia mais crítica,
o professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade
de Harvard, Joseph T. Coyle, diz que "esta alarmante tendência
de prescrever drogas a crianças pequenas pode ter efeitos
perigosos para o desenvolvimento cerebral". Segundo ele, "tudo
indica que há uma crise nos serviços de saúde
mental e se deve abrir uma investigação imediata para
se identificar onde está o erro e corrigi-lo o mais rápido
possível".
Um
primeiro levantamento demonstra que mais de dois milhões
de crianças americanas já faziam uso da Ritalina há
quatro anos atrás, incluídas todas as faixas etárias.
Tem sido registrado o crescimento de outras drogas para uso infantil,
entre elas o Prozac e o antipsicótico Clonidine, que se usa
comumente para regular a pressão arterial em adultos. Em
crianças, ele está sendo receitado por muitos médicos
americanos para insônia e "desatenção".
O
sistema de saúde americano, entretanto, tem registrado vários
casos de crianças com diminuição do ritmo cardíaco
e desmaios após a administração do Clonidine.
Já a Retalina está associada a mortes súbitas,
taquicardia, desmaios e insônia. Em ratos de laboratório,
ela tem causado câncer.
Os
responsáveis por estas crianças e os médicos
confessam estar optando por estas drogas devido à resposta
rápida ao tratamento.
No
entanto, já começam a surgir as primeiras vozes que
fazem a crítica ao uso indiscriminado destas drogas na população
infantil. Alguns especialistas e entidades já afirmam que
as drogas psicotrópicas se converteram em um substituto da
disciplina e da terapia psicológica, que não é
coberta por muitas das empresas que exploram planos de saúde
nos Estados Unidos.
Segundo
Julie Magno Zito, uma das pesquisadoras que levou à frente
o estudo, esta tendência que vem sendo seguida por médicos
se deve principalmente à pressão dos pais para que
seus filhos se comportem bem nas creches e escolas.
Estudos
anteriores sobre a utilização de medicamentos psicotrópicos
se restringiram à faixa etária entre cinco e 19 anos.
A pesquisa realizada pelos especialistas da Universidade de Maryland
documenta, pela primeira vez, o uso extensivo deste tipo de droga
a crianças menores de cinco anos.
O
estudo foi realizado num universo de 200 mil crianças, que
tiveram diagnóstico ligado a algum tipo de déficit
de atenção e hiper atividade. O estudo demonstrou
que metade destas crianças tomava algum tipo de medicamento
para controlar sua conduta.
Artigo
publicado na página:
http://www.crfrj.org.br/revista/42/11_42.html+retalina&hl=pt-BR&lr=lang_pt
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