O
herpes simplex é como um hóspede que jamais abandona
seu hospedeiro.
Quando não está se manifestando é porque
está adormecido nos gânglios do sistema nervoso,
e em especial nos neurônios, para onde ascende, através
das fibras nervosas, após ter infectado a pele e as membranas
mucosas (ex. boca, lábios, olhos, geni-tália). Mas
não são as partículas do vírus que
se mantêm no núcleo dos neurônios, mas sim
o seu DNA, pois diante de qualquer situação propícia
à sua multiplicação, o vírus sempre
se utiliza do núcleo da célula infectada.
O
organismo responde ao ataque dos vírus do herpes através
do sistema imune.
Se
a luta for intensa, as perdas não enormes para ambos os
lados.
Sempre
que o sistema imunológico se exaure no combate a focos
infecciosos ou inflamatórios, diante de algum trauma ou
extrema situação de estresse emocional, dietético,
ambiental, devido à super exposição do organismo
aos raios solares, a tendência é que haja uma reativação
do vírus do herpes. Desse modo ele se multiplica e retorna
à pele, onde se manifesta como pequenas bolhas cheias de
um líquido transparente sobre uma base inflamada.
Nem
todas as pessoas expostas ao vírus, porém, são
infectadas por ele, mas um em cada seis americanos encontra-se
infectado pelo herpes genital. É raro encontrar alguém
que pelo menos uma vez na vida não tenha sofrido um ataque
do herpes.
O mais comum é que ele se manifeste de maneira crônica
em indivíduos que sofrem de algum tipo de supressão
imunológica.
A
saúde do timo é de extrema importância, pois
existem fortes evidências de que linfócitos T defeituosos
podem permitir crises de recorrência do herpes, mesmo em
pessoas aparentemente saudáveis.
|
O
Herpes simplex tipo 1 (HSV-1) e tipo 2 (HSV-2)
|
|
Pontos
em Comum do Herpes Simplex Tipo 1 e Tipo 2
|
Ambos afetam as mucosas (oral ou genital).
Ambos mantêm-se em estado latente no sistema nervoso.
Observados em microscópio, ambos são idênticos.
Ambos podem contaminar outros hospedeiros, mesmo não havendo
qualquer sintoma externo de sua atividade.
Em ambos os casos, uns 2/3 das pessoas infectadas não apresentam
sintomas algum ou têm crises tão brandas que nem
as notam.
50% do DNA de ambos é idêntico.
|
Diferenças
entre o
Herpes Simplex Tipo 1 e Tipo 2
|
|
O
local onde se manifesta, apesar da regra ter suas exceções
|
|
HSV-1
|
Afeta
as partes acima da cintura. Reside no gânglio trigeminal
coleção de células nervosas perto
do ouvido de onde caminha até o lábio
inferior ou outras áreas do rosto. |
|
HSV-2
|
Afeta
as partes abaixo da cintura. Reside nos gânglios da
base da espinha dorsal, na região do sacro, de onde
caminham para a região genital.
|
HSV-1
O vírus do herpes causa infecções brandas,
nada perigosas, que somente às vezes incomodam.
Realmente
a infecção é branda, mas se afetar os olhos,
pode causar cegueira, e se chegar ao cérebro, promovendo
o herpes encefálico, pode levar à morte. O HSV-1
pode ainda causar panarício, que infecta os dedos, e o
herpes gladiatorum, que infecta o peito e a face.
Para alguns especialistas, a virulência do HSV-1 é
subestimada, pois é muito mais perigoso que o HSV-2.
HSV-2
Causa infecções muito perigosas, dolorosas e só
afeta quem tem uma vida sexual muito ativa.
Dos
22% dos americanos adultos infectados, não importa a etnia
ou qual seja o nível de educação ou econômico,
2/3 nem mesmo sabem que são portadores, por sofrerem surtos
extremamente brandos. Esse vírus raramente causa maiores
problemas ou se expande a outras regiões.
|
Fatores
Determinantes às Crises de Herpes
|
O sistema imunológico.
A
qualidade do sistema imune é o principal fator determinante.
Quem estiver com
o sistema comprometido pelo câncer, pela AIDS, por uma queimadura
severa ou se expondo a medicamentos imunossupressores (ex. antiinflamatórios),
são mais vulneráveis às crises de herpes.
No
caso dos recém nascidos, cujo sistema imunológico
ainda é totalmente imaturo, a contaminação
pelo vírus do herpes é problemática.
O tempo de contaminação.
Ao
longo do tempo, por razões desconhecidas, a recorrência
das crises do HSV-1 e do HSV-2 tendem a diminuir.
No
caso do HSV-1, as estatísticas mostram que de 100 milhões
de americanos que adquiriram o vírus em criança,
quando na idade adulta apenas 5% precisam procurar cuidados médicos.
Quanto
ao HSV-2, dos 40 milhões de americanos infectados na adolescência
ou idade adulta, quem apresentou recorrência no primeiro
ano teve uma média de quatro a seis surtos. Mas com a idade,
as crises também diminuem.
A região em que o vírus se aloja.
Se
o vírus não estiver estabelecido no seu local preferido,
seu poder de ação é bastante reduzido.
Dos
30% das infecções genitais pelo HSV-1, somente 2
a 5% apresentam recorrência, enquanto nos infectados pelo
HSV-2, as crises são dez vezes mais freqüentes.
A
infecção oral pelo HSV-2 é rara e após
a primeira manifestação, qualquer recorrência
é praticamente inexistente.
O tipo de vírus.
O
HSV-2 na área genital é o que apresenta maior índice
de reincidência.
A seguir vem o HSV-1 oral, o HSV-1 genital e o HSV-2 oral
|
Qual
o Vírus Mais Contagioso
|
Ambos são igualmente contagiosos apesar dos portadores
do HSV-2 serem mais conscienciosos do que os do HSV-1.
Apesar
do contágio ser mais eminente quando o vírus encontra-se
visivelmente ativo, se ele já estiver ativo na pele, mesmo
que isso não seja evidente, a contaminação
pode acontecer.
Aqueles
já infectados com um dos dois tipos de HSV, ser contaminado
pelo outro
é bem mais difícil, pois o organismo já tem
anticorpos igualmente ativos contra ambos. A infecção
de um mesmo gânglio por dois tipos de vírus diferentes
é rara, mas caso ela aconteça, as crises serão
mais brandas. A presença do HSV-1 diminui
a possibilidade de contaminação pelo HSV-2 em 40%.
A
principal forma de contaminação das crianças
é pelos beijos que recebem.
|
Principais
Sintomas da Contaminação
|
Contaminação oral pelo HSV-1.
A
primeira infecção do HSV-1 não aparece nos
lábios, mas dentro da boca (gengivoestomatite), onde perdura
por umas três semanas. Seus sintomas são tão
brandos que podem passar desapercebidos, sobre tudo em uma criança.
Caso a manifestação aflore, ela virá acompanhada
de dor e febre.
A
seguir o vírus se aloja no sistema nervoso sensorial, onde
permanece em estado latente, de dormência, até o
dia que aparece como uma pequena ferida sobre os lábios
(cold sore).
Ccontaminação genital pelo HSV-2.
Inicialmente
a pele ou a mucosa fica mais sensível e avermelhada, podendo
ainda ser dolorida, coçar ou dar a sensação
de queimação. Em seguida pequenas bolhas aparecem
ou a pele muda de textura. Pode ainda haver sintomas semelhantes
aos da gripe dor de cabeça, dores musculares, febre
e gânglios inchadas. Se o herpes afeta a uretra, a micção
é acompanhada de ardência. Depois que a bolha estoura,
novos tecidos se formam e a pele volta ao normal.
|
O
Vírus da Varicela Zoster (VZV)
|
|
-
Catapora e Herpes Zoster -
|
Grande
parte do genoma do vírus da varicela zoster é idêntica
ao dos vírus do herpes 1 e 2. Responsável pela catapora
e pelo herpes zoster, ele é um vírus frágil,
pois os ácidos graxos (gorduras) de suas membranas são
extremamente vulneráveis.
A catapora, doença típica da infância, é
a manifestação de uma infecção primária,
pelo VZV, que a partir de então permanecerá em estado
latente no sistema nervoso sensorial, podendo reaparecer mais
tarde, caso haja uma baixa no sistema imunológico.
Já
a varicela zoster, após a primeira infecção,
se mantêm adormecida dos nervos sensoriais da espinha dorsal.
Quando reativada, aparece como herpes zoster provocando grande
dor e uma avassaladora erupção cutâneas (dermatomas),
nas regiões em que os nervos se encontram.
|
O
Processo de Contaminação do Herpes
|
Sempre
que o vírus do herpes estiver ativo ele pode ser transmitido
através da pele ou das mucosas, mesmo antes de estar aparente,
mas cuja presença já pode ser sentida por uma certa
coceira ou alguma outra sensação que delata o seu
despertar.
Quem começa a sentir o herpes nos lábios, portanto,
deve preservar seus amigos. Abstenha-se de beijá-los, repartir
alimentos, copos, talheres etc. Do mesmo modo, quem estiver com
o herpes genital ou anal ativo, deve abster-se do sexo. Esses
cuidados devem ser tomados até que a pele tenha voltado
totalmente ao normal.
Infelizmente,
a transmissão pode ser feita quando o vírus se encontra
assintomático. Isso acontece principalmente se a pessoa
ignorar ser um hospedeiro, durante o período que precede
o surto ou já no final de uma crise, quando seus sintomas
são praticamente imperceptíveis.
Vagina,
saliva e secreções do pênis podem transmitir
o vírus do herpes sem que ninguém perceba. Lesões
no interior da vagina, que não são vistas ou sentidas,
também são focos de transmissão. Uma pessoa
não infectada pelo vírus tem 75% de chance de ser
contaminada tão logo entre em contato direto com ele.
Existe
ainda a possibilidade da autocontaminação, isto
é, da pessoa contaminar outras partes do seu corpo depois
de tocar uma ferida provocada pelo vírus, pois o dedo,
além de contaminar a si mesmo, pode levá-lo aos
olhos, às narinas ou a qualquer outra parte.
Tente
jamais tocar uma ferida ou lave as mão imediatamente após
tocá-la, pois ele é extremamente vulnerável
à água e ao sabão. Embora não haja
um consenso quanto à sobrevida do herpes fora do seu habitat,
toalhas também podem contaminar.
Se
por ocasião de um parto, a mulher estiver passando por
um surto do vírus ou suspeitar que ele, recomenda-se a
cesariana como meio de prevenir a contaminação do
recém nascido.
Uma
vez contaminado, os sintomas normalmente aparecem entre dois e
vinte dias, embora possa levar mais tempo, e podem durar algumas
semanas. Só para uma minoria essa a primeira manifestação
é virulenta. Para a grande maioria, ela é tão
branda que chega a passar desapercebida.
A
recorrência de um surto de herpes é geralmente, mas
não necessariamente, precedida da sensação
de coceira ou queimação por algumas horas. Em seguida,
um conjunto de bolhinhas aparece, mas em um ou dois dias estouram
e secam, deixando uma crosta que desaparece em uns cinco dias.
Algumas
pessoas sofrem crises mais freqüentemente do que outras.
A média da recorrência do herpes genital é
de quatro vezes ao ano. E enquanto estiver adormecido nos neurogânglios,
ele não representará qualquer perigo para o organismo
ou para as células nervosas. As recorrências geralmente
acontecem em áreas próximas ao local da contaminação.
Desde
o primeiro contato do vírus com seu hospedeiro, o sistema
imunológico cria anticorpos e memoriza a melhor estratégia
contra ele. Diante do início da qualquer crise, a memória
do sistema imunológico é ativada fazendo com que
as feridas, além de serem poucas, desaparecem rapidamente,
provocam pouca dor e raros são os casos de febre.
Os
padrões que regulam a recorrência dos surtos de herpes
variam com cada pessoa, entretanto, o denominador comum é
o sistema imunológico exaurido. Portanto, o melhor que
se tem a fazer é tomar todas as precauções
possíveis para que o sistema imunológico não
atinja este ponto e mantenha o vírus permanentemente em
estado remissivo.
|
Possíveis
Causas de uma Crise de Herpes
|
|
Cirurgia
Doenças graves
Drogas Estresse emocional
Exaustão
Febre
Gripes
Medicamentos
Menstruação
Queimaduras solares
Relações Sexuais intensas
|