Os
ftalatos são pseudo-estrogênio, pois têm um
núcleo molecular similar ao do estradiol principal
hormônio produzido pelos ovários xenobióticos,
ou seja, estranhos ao organismo. Por isso, inúmeros estudos
têm constatado a estreita relação entre os
ftalatos e a infertilidade masculina. (1)
Um
dos trabalhos que mais chamam a atenção, porém,
é o do Dr. Earl Gray, do US Environmental Protection Agency,
que observou as alterações hormonais provocadas
pelos ftalatos e outros agrotóxicos no feto masculino,
em doses muito inferiores às consideradas tóxicas,
gerando a hipospadia (deformação congênita
das vias urinárias), assim como dramáticas mudanças
nas características sexuais, incluindo a demasculinização
e feminilização dois efeitos distintos, esclarece.
(2)
Segundo
os comentários da Dra. Anne Platt McGinn, pesquisadora
do Worldwatch Institute e autora de Why Poison Ourselves: A Precautionary
Approach to Synthetic Chemicals, em relação ao relatório
dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças
dos Estados Unidos (CDC) sobre os efeitos dos produtos tóxicos
à saúde: (3)
Ftalatos
adicionados aos plásticos, especialmente o PVC, para lhes
dar uma variedade de características, como flexibilidade
e retardamento das chamas, por
não estarem quimicamente ligados às suas estruturas,
tendem a vazar para o meio ambiente. Estudos com animais silvestres
e de laboratórios constataram que eles provocam não
apenas danos sobre a saúde reprodutiva abortos,
defeitos congênitos, contagem anormal de esperma, danos
testiculares e redução da fertilidade como
também o câncer de fígado e rins. Quase 500
milhões de quilos
de ftalatos são produzidos anualmente só nos Estados
Unidos.
Os
ftalatos, que também provocam a diminuição
dos níveis de zinco, migram para os alimentos a partir
das embalagens plásticas de cloreto de polivinil (PVC),
como dos PETs das garrafas de bebidas, dos copos e filmes de plástico
que cobrem os alimentos, assim como são liberados dos brinquedos,
bicos de mamadeira e de chupetas etc. diretamente para a boca
das crianças, sempre que são mordidos.
Tanto
as águas residuais das indústrias que utilizam os
ésteres de ftalatos (EP) como os sacos e embalagens plásticas
também contaminam o meio ambiente e a água potável,
segundo os pesquisadores Rodrigo Alexandre e Eduardo Carasek,
do Departamento de Química da Universidade Federal de Santa
Catarina, e Raquel Costa e Fábio Augusto, do Instituto
de Química da Universidade Estadual de Campinas.
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Os
Ftalatos nos Produtos de Higiene e Beleza
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Vários
produtos de beleza, perfumes, cremes e desodorizantes também
utilizam ftalatos como solvente e conservante dos odores dos perfumes,
revelou um estudo do grupo de trabalho sobre o meio ambiente Coming
Clean e Health Care without Harm. Dos 72 produtos testados, 52
continham ftalatos, ou seja, 72%. Entre esses
se encontravam o perfume Poison de Christian Dior, assim como
desodorantes e géis para os cabelos das marcas Revlon,
Calvin Klein e Procter & Gamble.
Segundo esses estudiosos, os ftalatos realmente provocam vários
problemas aos órgãos reprodutores, sobretudo masculino,
como a atrofia dos testículos.
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Brinquedos
de PVC - Crianças em Perigo
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Resumo
do relatório elaborado pelo Greenpeace Research Laboratories
University of Exeter Department of Biological Sciences
O
PVC, igualmente conhecido como vinil ou policloreto de vinila,
é amplamente utilizado em brinquedos e outros produtos
para crianças, pois os torna flexíveis (macios).
Apesar de inúmeras substâncias químicas serem
usadas como amaciantes, os (esteres) ftalatos são os mais
empregados.
Os
ftalatos não se ligam ao PVC. Por isso, migram dos plásticos
e são continuamente liberados ao longo do tempo. A pressão
aplicada pelas crianças nos mordedores ou quando brincam
aumentam a quantidade de ftalatos liberados que acabam sendo absorvidos.
Apesar
da intoxicação aguda ser aparentemente rara, observou-se
que eles causam uma série de efeitos adversos animais
de laboratório submetidos a longas exposições
apresentaram danos no fígado e nos rins e defeitos no sistema
reprodutivo.
Como
os fabricantes não fornecem informação sobre
a composição dos brinquedos, o Greenpeace adquiriu
diversos brinquedos feitos de plástico em diferentes países
para determinar os tipos e quantidades de ftalatos presentes
entre 71 brinquedos, 63 eram de PVC flexível ou tinham
partes de PVC. E, em quase todos, os ftalatos respondiam por 10
a 40% da massa total do brinquedo.
Apesar
do ftalato mais utilizado pela indústria em geral ser o
di-(2-etilhexil) ftalato (DEHP), esse só aparecia em 8
brinquedos, mas a sua forma isométrica, o ftalato de diisononila
(DINP), estava em 40 deles. Embora menos estudado do que o DEHP,
o DINP mostra propriedades igualmente tóxicas em animais
de laboratório.
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Principais
Efeitos dos Ftalatos
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Danos ao sistema reprodutivo.
Desordens do fígado e dos rins.
Diversos efeitos negativos sobre os processos de desenvolvimento
e metabólicos.
Maior incidência de certas formas de câncer.
As
pesquisas revelaram que o DINP e outros ftalatos são capazes
de mimetizar o estrógeno, mesmo que sutilmente, para as
células humanas.
As
embalagens que transportam o DINP, entretanto, trazem uma série
de advertências no rótulo (tal qual acontece com
o AZT, que traz até mesmo o símbolo de perigo máximo
uma caveira e dois ossos cruzados) (4)
como: Perigoso se for inalado, engolido ou entrar em contato com
a pele. Possíveis riscos de efeitos irreversíveis.
Pode causar o câncer.
Mesmo assim, os brinquedos com até 40% de DINP prontos
a migrarem eram rotulados como "não-tóxicos".
Outros
compostos igualmente tóxicos foram identificados nos brinquedos,
embora em menor concentração:
DBP e BBP O ftalato de dibutila e o ftalato de butilbenzila estavam
em vários brinquedos.
Folpet o fungitrol 11 estava em dois brinquedos.
Nonilfenol substância estrogênica, achava-se presente
em 13 brinquedos.
As
taxas de migração/liberação dos ftalatos
não foram determinadas neste estudo. Mas só por
estarem presentes até em mordedores, feitos para se manterem
na boca, levantam uma questão séria e preocupante.
Segundo
a Agência Ambiental da Holanda, a migração
dos ftalatos dos mordedores é substancial resultado
que corrobora com as pesquisas de outros países. Isso levou
a Comunidade Européia a proibir o uso de PVC flexível
em brinquedos destinados a crianças pequenas.
Decisão
1999/815/CE Jornal Oficial L 315, de 09.12.1999. Na seqüência
da recomendação da Comissão de Julho de 1998,
esta medida proíbe os estados-membros de colocarem no mercado
brinquedos e artigos de puericultura destinados
a ser introduzidos na boca por crianças com menos de três
anos de idade, fabricados em PVC maleável que contenha
DINP, DEHP, DBP, DIDP, DNOP e BBP, até 8 de março
de 2000. (Essa decisão foi posteriormente prorrogada para
5 de junho de 2001). (5)
A
condenação européia fez eco no Brasil. Assim:
Manda o Governo, pelos ministros da Previdência, da Economia
e da Saúde, nos termos do n.º 2 do artigo 8.º
do Decreto-Lei n.º 311/95, de 20 de novembro, o seguinte:
O
n.º 3º da Portaria n.º 116-A/2000, de 3 de março,
passa a ter a seguinte redação:
É proibida a fabricação, importação,
exportação, trocas intracomunitárias, comercialização
ou colocação no mercado a título gratuito
ou oneroso dos produtos referidos no n.º 1º, designadamente
anéis de dentição, rocas e chupetas de puericultura,
quando sejam fabricados em PVC mole e contenham as seguintes substâncias:
Ftalato de di-isononilo (DINP)
Ftalato de 2-etil-hexilo (DEHP)
Ftalato de di-n-octilo (DNOP)
Ftalato de di-isodecilo (DIDP)
Ftalato de benzilo e butilo (BBP)
Ftalato de dibutilo (DBP)