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CULTURA GERAL

O ESTRESSE

O estresse, apesar de não ser uma doença em si, é tudo aquilo que eleva os níveis de acidificação e oxidação do organismo e promove padrões de energia alterados que geram disfunções e doenças físicas, emocionais e mentais.

Segundo as estatísticas o estresse tem respondido por dois terços das disfunções e doenças daqueles que freqüentam os consultórios médicos. Seja esse percentual exagerado ou condescendente, a verdade é que o Ser humano jamais foi tão exposto a tantos fatores de estresse - interno e externo - como hoje em dia.

O simples fato do organismo ser incapaz de se adaptar a qualquer situação, por mais corriqueira que seja, também é fator de estresse. A intensidade da luz solar, por exemplo, é fator de estresse para os que sofrem de fotofobia e precisam usar óculos escuros.

Não se pode também esquecer que após a Segunda Guerra Mun-dial mais de 80 mil variedades de elementos químicos invadiram nossas vidas, principalmente através dos alimentos e dos produtos de limpeza, higiene e beleza, (1) obrigando o organismo a se adaptar a uma carga de radicais livres muitíssimo mais elevada do que até então estava acostumado/programado.

E o processo desencadeado pela ação dos radicais livres no organismo, o estresse oxidativo pode ser avassalador devido ao estrago que faz às membranas celulares, estruturas tissulares, DNA etc. Os adaptogênicos, por sua vez, são alimentos funcionais que freiam o estresse oxidativo através da alcalinização dos líquidos extracelulares e da recuperação do Sistema Fundamental de Regulação do qual, como vimos, depende a preservação, regeneração e otimização da saúde dos humanos e dos animais.

O endocrinologista Hans Selye, autor de The Stress of Life (1956), foi um pioneiro no estudo sistematizado do estresse, cujo processo cunhou como Síndrome da Adaptação Generalizada, dividindo-o em três fases distintas: alarme, resistência e exaustão.

As Três Fases do Estresse

1º. A fase de alarme ou "lutar-ou-fugir"

A primeira reação do organismo diante de uma situação de estresse é a de lutar-ou-fugir - as duas únicas opções do homem primitivo diante de um animal selvagem
ou de um inimigo e cuja qualidade de resposta dependia das aptidões físicas do indivíduo.

Embora a maioria das situações de estresse a que hoje estamos expostos não necessite mais de um desses dois tipos de resposta, nosso cérebro continua enviando as mesmas ordens à glândula supra-renal para que ela secrete os hormônios adrenalina e cortisol necessários à atividade da luta ou da fuga.

Assim, até hoje, ao primeiro contato com um fator de estresse, esses dois hormônios entram na circulação sangüínea, impondo ao organismo uma série de mudanças fisiológicas subseqüentes. E, embora a intensidade com que o organismo reage varie com a percepção da ameaça, essas reações físicas são sempre as mesmas:

1) Os batimentos cardíacos e a força de contração do coração aumentam para enviar maior quantidade de sangue às áreas envolvidas com a ação da luta ou da fuga.

2) A maior parte do sangue da pele e dos órgãos internos, com exceção do coração e dos pulmões, é enviada aos músculos e ao cérebro, onde a glicose e o oxigênio são mais necessários.

3) O ritmo da respiração aumenta para garantir maior suprimento de oxigênio ao coração, cérebro e músculos.

4) A produção do suor aumenta, pois o excesso de resíduos tóxicos produzidos pela aceleração do metabolismo precisa ser eliminado, assim como a temperatura elevada precisa ser diminuída.

5) Os níveis de açúcar no sangue também aumentam, pois o fígado despeja maiores quantidades de glicose na corrente sangüínea.

6) A produção das secreções digestivas diminui, já que a digestão nada tem a contribuir para a qualidade de resposta ao fator de estresse.

2ª. A fase de resistência

Se por um lado a fase lutar-ou-fugir é de curta duração, o período de resistência e combate ao estresse é bem mais longo.

Uma vez que a mente e o corpo identificam o agente estressante, eles ativam as células, tecidos, órgãos e sistemas mais apropriados aos mecanismos de resistência. Os corticosteróides, os hormônios secretados pelo córtex adrenal, são, portanto, importantíssimos durante essa fase. Exemplo:

- Glucocorticóides promovem a conversão das proteínas em energia, caso as reservas de glicose sejam exauridas.

- Mineralcorticóides retêm o sódio para que a pressão sangüínea se mantenha elevada.

Nessa fase, além de o organismo se esforçar para manter estáveis os níveis de energia, a composição sangüínea, o pH dos humores etc., ele também tem que lidar com as conseqüências dos distúrbios emocionais, dar apoio às respostas imunológicas, manter a mente lúcida etc.

Se o estresse for algo pontual ou decorrente de um problema de saúde agudo, as alterações impostas ao corpo se auto-regulam relativamente rápido. Já as situações de estresse prolongadas ou doenças crônicas fazem com que essa fase de resistência seja mais longa e comprometa o Sistema Fundamental de Regulação do organismo de maneira mais grave. E qualquer organismo que tenha que sobreviver em constante estado de acidez é levado ao esgotamento.

3ª. A fase de exaustão

Sentir o corpo cansado após uma situação de estresse é normal, mas as energias não devem demorar a voltar. Nos casos de exaustão, a tendência é que haja um colapso nos sistemas, funções ou órgãos mais desgastados durante a fase de resistência.

Embora a intensidade da exaustão seja variável, suas principais características são:- Enfraquecimento dos órgãos, tecidos e sistemas - coração, veias, glândulas supra-renais, sistema imunológico etc. - sobrecarregados pelo estresse prolongado.

- Depauperação dos glucocorticóides que prejudica a quantidade de nutrientes e glicose absorvidos pelas células.

- Perda de íons de potássio, levando as células a se tornarem cada vez mais inativas, entrarem em disfunção e, eventualmente, em colapso.

Muito antes, porém, das conseqüências do estresse se somatizarem como disfunção ou doença, elas se manifestam pela perda de energia e desequilíbrios emocionais - ansiedade, frustração, impaciência, insônia, irritabilidade, mau humor, medo etc.
Os códigos de medicinas milenares, como a chinesa e a ayurvédica, sabem relacionar os desequilíbrios emocionais e energéticos aos órgãos e sistemas de origem, o que lhes dá a grande vantagem de atuar de modo preventivo, intervindo antes que a doença ou disfunção se manifeste. (A relação entre as emoções e os órgãos, segundo a medicina chinesa, se encontra no volume II.)


O Estresse E As Glândulas Supra-renais

As glândulas supra-renais, ou adrenais, são as mais atingidas pelas situações de estresse, o que faz com que o sistema nervoso simpático as estimule a secretar hormônios. E como o estresse é algo que afeta todos nós, vale a pena sabermos um pouco do que se passa com as glândulas adrenais. Estruturalmente, as glândulas supra-renais são divididas em dois lóbulos: o córtex adrenal e a medula adrenal.

O córtex adrenal

O córtex é o responsável pela secreção dos corticosteróides - hormônios formados a partir do colesterol -, que se dividem em:

- Quetosteróides os hormônios sexuais que sob situações de estresse são praticamente suprimidos.

- Mineralcorticóides fundamentais à bomba sódio-potássio e à manutenção da pressão osmótica. Exemplo: a aldosterona.

- Glucocorticóides que embora participem do metabolismo dos carboidratos regulando os níveis de glicose no sangue, suprimem a ação do sistema imunológico. Exemplo: a cortisona.

Os longos períodos de estresse (ou o uso prolongado de medicamentos à base de corticóides) provocam não só a atrofia e a hipoatividade das glândulas do timo - causa da imunodeficiência ou paralisação do sistema imunológico -, como também das glândulas supra-renais.

A medula adrenal

É a medula adrenal que estimula o sistema nervoso simpático responsável pelos movimentos involuntários como os batimentos cardíacos, ritmo respiratório, peristaltismo gastrintestinal etc., assim como as modificações fisiológicas da etapa lutar-ou-fugir.

Os hormônios secretados pela medula adrenal são:

- Epinefrina/adrenalina hormônio que acelera todos os metabolismos relacionados à resposta ao estresse.

- Norepinefrina/dopamina neurotransmissores responsáveis pelas mudanças de humor.

As glândulas supra-renais em disfunção

Uma das principais funções dos adaptogênicos no combate aos efeitos negativos do estresse, como veremos logo adiante, é exatamente dar apoio às glândulas adrenais, pois as glândulas supra-renais em disfunção podem tornar-se hipoativas ou hiperativas.

- Hipoativas deixando o organismo exposto a todos os maus efeitos do estresse que culminarão com a exaustão e total vulnerabilidade do organismo às alergias, asma, gripes, resfriados, hipotensão, infecções etc.

- Hiperativas promovendo a pressão alta, os altos níveis de açúcar e de colesterol no sangue, assim como a ansiedade, a depressão etc.

Possíveis Causas do Estresse
Agentes alergênicos
Alimentos artificiais
Alimentos contaminados
Assalto
Campos eletromagnéticos
Conflitos de relacionamento
Contas a pagar
Conviver com quem não gosta
Desejos jamais realizados
Dor
Exercícios físicos extenuantes
Expectativas
Falta d'água
Falta de dinheiro
Falta de trabalho
Fazer o que não dá prazer
Fim de um relacionamento
Focos de infecção
Focos de inflamação
Fome
Gripe
Guerra
Habitação desconfortável
Luzes artificiais
Mau humor
Medicamentos
Medos
Morte de um ente querido
Notícias trágicas
Obesidade
Perfumes sintéticos
Poluição ambiental
Prisão de ventre
Problemas com o sono
Produtos artificiais
Radiação
Subnutrição
Trabalhar no que não gosta
Tráfego
Tragédias ambientais

 

Problemas Relacionados ao
Estresse Físico, Emocional ou Mental
AIDS
Angina
Ansiedade
Artrite reumatóide
Asma
Azia
Câncer
Colite ulcerativa
Deficiências
Imunológicas
Depressão
Diabetes tipo II
Doenças
cardiovasculares
Doença de Crohn
Doença do pânico
Doenças auto-imunes
Dores de cabeça
Gripes
Herpes
Hipertensão
Imunodeficiência
Insônia
Irregularidade menstrual
Irritabilidade
Perda da memória
Problemas mentais
Resfriados
Síndrome do
Intestino Irritado
Tensão pré-menstrual
Úlceras


As principais medidas de combate ao estresse

Até hoje não se descobriu nada mais efetivo para o combate ao estresse do que a prática da meditação, nem que seja por 20 minutos diários. O simples fato de se conseguir parar com os pensamentos faz com que o ritmo cardíaco e respiratório diminua, o que permite ao corpo um estado de relaxamento até mesmo mais profundo do que durante os períodos de sono.

Com a prática da meditação nos tornamos cada vez menos vulneráveis aos agentes estressantes, pois esses minutos de quietude mental são suficientes para provocar mudanças fisiológicas de natureza oposta às promovidas pelo estresse, entre as quais a mais notável é a alcalinização dos humores - fator fundamental ao processo de vicariação regressiva e otimização da saúde física, equilíbrio emocional e potência mental.

O combate ao estresse também requer uma atenção especial no que diz respeito ao estilo de vida, pois qualquer comportamento e atitudes que adotamos são determinantes à manutenção do equilíbrio homeostásico.
Portanto, reza o bom senso ser preciso:

Adotar um ritmo de vida confortável.

Conviver com pessoas que lhe sejam agradáveis e com quem se tenha o que compartilhar.

Dar atenção ao que entra pela boca e redobrar a atenção pelo que sai por ela - o poder da palavra é muito maior do que se imagina. "E Deus disse... E assim se fez!"

Dar preferência aos alimentos frescos, livres de elementos químicos, de potencial alcalino, limitando-se àqueles compatíveis com a natureza do próprio Ser.

Desenvolver o gosto pela arte da meditação, oração ou contemplação (sem diálogos mentais!).

Morar e trabalhar em ambientes agradáveis e "ecologicamente corretos".

Praticar exercícios físicos de modo moderado, regular e da forma que seja mais agradável.

Trabalhar naquilo em que se tem talento, para alcançar a mestria e usufruir da auto-realização.

Zelar por cultivar pensamentos positivos, sentimentos de gratidão e manter o coração em estado de amor e êxtase.

Do livro Saúde & Beleza Forever, de Mônica Lacombe Camargo
- Edição Esgotada -


(1) http://www.rense.com/general19/chemical.htm

 
     

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